Como pude fazer isso ??!!
Espiritualidade agosto 27th, 2008“(…) é freqüente perguntarmo-nos, ao recordar os nossos pecados: “Como pude ser tão estúpido ? Como é possÃvel que me tenha comportado como um animal, que tenha caÃdo outra vez após outra nisto… e também naquilo?” Falamos como se no fundo, fôssemos pessoas excelentes, e os nossos pecados uma espécie de lapsos inexplicáveis.
Não é necessário dizer-te que essa visão é completamente falsa. A verdade - tanto do ponto de vista teológico como do da experiência própria - é que somos criaturas caÃdas e, por isso, constantemente inclinadas a deixar-nos levar pela tentação, embora nos esqueçamos disso com freqüência. Dizemos a nós mesmos: “Que coisa extraordinária ! Vi claramente que não deveria fazer aquilo, mas acabei fazendo-o apesar de tudo. É absurdo”. Como vês, não o é de maneira nenhuma, desde que compreendas retamente a doutrina do pecado original.
(…) quando confessamos os nossos pecados, devemos sentir dor de coração, envergonhar-nos deles, odiá-los, mas não surpreender-nos de tê-los cometido. E muito menos dizer: “Isto não é próprio de mim”. Muito pelo contrário, isso é que é próprio de nós, visto que somos criaturas caÃdas ! Mas sobretudo não te aborreças, não te irrites por teres caÃdo; nunca essa atitude fez bem a ninguém.
É uma sutil vaidade a que nos faz ter essas reações; tendemos inconscientemente a pensar no nosso progresso espiritual como se tratasse de ir vencendo uma corrida de obstáculos ou de ir conquistando recordes, e, se tropeçamos ou não conseguimos a marca prevista, sentimo-nos humilhados, quando na verdade o que Deus quer é que sejamos humildes, o que é completamente diferente.
Oxalá não nos aconteça o mesmo com os nossos pecados, já que pecar não é surpreendente. Pelo contrário, é o normal numas criaturas caÃdas como nós, que necessitam da graça de Deus a cada instante. Sem ela, não podemos fazer nada de bom.
(…)
Mas não metas os pés pelas mãos. Não penses que, pelo fato de seres uma criatura caÃda, não podes evitar o pecado. Todos somos - não é necessário insistir nisto - responsáveis pelos nossos atos. Nem sempre é possÃvel ter a certeza de que uma falta em concreto é um pecado ou uma simples imperfeição; nem de que um pecado que cometemos é venial ou mortal. Em última instância, esse juÃzo cabe a Deus. Mas com muita freqüência não é assim. Normalmente, sabemos que pecamos, mortal ou venialmente. E é aqui que precisamos ter em conta retamente a nossa condição de criaturas caÃdas: ela não desculpa as nossas faltas, apesar de explicá-las.
Por isso, sejamos pacientes com os nossos pecados, como o serÃamos com os dos outros; alimentemos a esperança de ser curados, e rezemos com constância para isso. Consideremos as nossas faltas com humildade, tal como as nossas virtudes.”
KNOX, Ronald. Deus e Eu. Quadrante, São Paulo, 1987, p-86/89.
Tags: arrependimento, Espiritualidade, pecado, vida espiritual
agosto 28th, 2008 em 10:06
O orgulho é o pior dos pecados. Sempre achamos que somos melhores, que merecemos mais do que os outros. Estamos sempre nos perguntando pq fulano se dá bem e eu não. Isso se chama orgulho!!
agosto 29th, 2008 em 20:20
O pecado é uma coisa muito insidiosa. Até o arrependimento, a ciência do erro, pode nos levar a outro pecado, se estiver associado a essa idéia de “pôxa, como EU (justo EU) pude fazer isso?”.
Muito bom este post!